Vice Ministro e Secretário-executivo Elias, excelências, distintas autoridades, tēnā koutou katoa, boa noite, good evening.
Queremos reconhecer a delegação política bipartidária de alto nível da Nova Zelândia que se junta a esta missão:
- Hon Nicole McKee, Ministra para Tribunais
- Sr. Tim van de Molen, Presidente do Comite de Assuntos Externos, Defesa e Comércio
- Hon Carmel Sepuloni, Vice-Líder da Oposição
- Hon Damien O’Connor, Porta-voz da Oposição para o Comércio
Estamos acompanhados também por uma ampla variedade de empresas neozelandesas ativas no Brasil. Alguns de seus representantes seniores viajaram conosco da Nova Zelândia; outros têm base aqui no Brasil; e alguns vieram de outras partes da América Latina. Eles trazem soluções inovadoras para setores essenciais do Brasil — soluções para infraestrutura, energia e recursos, saúde, defesa e agricultura.
Todas essas empresas compartilham um elemento comum: A reputação da Nova Zelândia por inovação, soluções práticas e qualidade de nível mundial.
É, portanto, um grande prazer abrir formalmente este Showcase de Inovação da Nova Zelândia.
É maravilhoso estar de volta ao Brasil. Os neozelandeses há muito admiram este país. Para nós, lá embaixo no sudoeste do Pacífico, logo ao norte dos pinguins, o Brasil sempre despertou a nossa imaginação. A poderosa Amazônia, os pulmões do mundo, o seu grande rio e, dentro de seu vasto dossel, a maior biodiversidade do planeta. Admiramos o ritmo vibrante e o talento do seu povo e, claro, a magnífica história da sua seleção de futebol.
A primeira seleção neozelandesa a se classificar para a Copa do Mundo foi em 1982, depois de sobreviver a 15 partidas extenuantes só para chegar ao maior evento esportivo do planeta. Quando o sorteio saiu, com o Brasil em nosso grupo, todos nos perguntamos como nossa equipe poderia competir contra um time brasileiro com jogadores brilhantes e de classe mundial como Éder, Falcão, Júnior, Sócrates e Zico.
Bem, vocês foram muito respeitosos com a Nova Zelândia naquele dia, marcando apenas quatro gols, pelo que continuamos gratos. A euforia dos neozelandeses por estarem no mesmo campo que a seleção brasileira era tanta que o principal jornal da capital declarou, após a grande derrota: “Quatro anos atrás teria sido 20–0!”.
Em 1982 vocês foram a melhor equipe do torneio, mas não venceram. Os neozelandeses entenderam a dor de vocês 13 anos depois, quando um grande time dos All Blacks, o time com a melhor performance da Copa do Mundo de Rugby de 1995, falhou no último obstáculo. Naquele dia entendemos como os brasileiros se sentiram em 1982.
Também foi uma honra encontrar Pelé em 2006, a convite da FIFA, na final da Copa do Mundo daquele ano, em Berlim. Pelé veio a definir o futebol brasileiro com sua habilidade sublime, a liberdade e a emoção com que jogava, sua resiliência e determinação durante sua longa carreira e a maneira como se conduzia em campo com uma graça que somente os mais talentosos alcançam.
Gostaríamos agora de voltar nossa atenção a outro tema importante para todos aqui: as relações entre a Nova Zelândia e a América Latina.
Embora um vasto oceano e a imponente Cordilheira dos Andes separem a Nova Zelândia do Brasil, compartilhamos valores importantes — o compromisso com a democracia, o Estado de Direito internacional, o multilateralismo, e uma visão de criar, ainda que de forma imperfeita, um futuro que sustente e nutra as necessidades materiais de nossos filhos e dos filhos deles, e cujo meio ambiente e clima sejam tratados com um sério senso de responsabilidade. O Brasil demonstrou esse senso de responsabilidade durante sua recente e impressionante realização da COP30.
O ano de 2026 marca o 25º aniversário do estabelecimento da embaixada neozelandesa aqui em Brasília e o 62º aniversário de nossas relações diplomáticas.
Desde que assumimos o Ministério, conduzimos uma diplomacia muito ativa, focando particularmente em nossa própria região, o Pacífico, e no Sul e Sudeste Asiático. Acreditamos que agora é o momento de nos apoiar em nossa história na América do Sul para elevar nossas relações diplomáticas e econômicas com o seu continente.
Fazemos isso porque nós que temos história em comum, que compartilhamos crenças e possuímos os mesmos valores essenciais, devemos fortalecer nossos laços enquanto trabalhamos para proteger as instituições que, com todas as suas imperfeições, ajudaram a sustentar condições de paz global por 80 anos. Viemos como amigos querendo falar sobre o trabalho que temos pela frente.
É também por isso que estamos aqui como uma delegação multipartidária, acompanhados de nossa delegação empresarial, para sinalizar, da forma mais clara possível, que fortalecer nossas relações com o Brasil e com seus vizinhos latino-americanos é um objetivo de todos os lados da política neozelandesa.
Esse compromisso não é feito de forma leviana, nem é apenas uma resposta às atuais perturbações regionais e globais. É o reconhecimento, da parte da Nova Zelândia, de que não fizemos o suficiente nas últimas décadas para aprofundar nossas relações, e estamos determinados não apenas a melhorá-las, mas a transformá-las.
Isso levará tempo, e este é apenas o começo, mas queremos avançar rapidamente enquanto identificamos áreas onde nossos povos podem se beneficiar mutuamente de maior colaboração e parcerias entre nossos governos e empresas.
Vemos a América Latina como uma parceira importante para enfrentar desafios globais, incluindo o fortalecimento da resiliência climática e o aumento da segurança energética e alimentar.
Também compartilhamos sérias preocupações quanto à ameaça sempre presente e crescente do crime organizado transnacional. E compartilhamos a necessidade urgente de proteger e promover um multilateralismo e uma arquitetura de comércio internacional eficazes e baseados em regras.
Simplificando: a Nova Zelândia não pode esperar avançar iniciativas no cenário internacional sem a cooperação latino-americana — seja nas Nações Unidas, no Sistema do Tratado da Antártida, na APEC ou no comércio. A região de vocês é extremamente importante para nós.
Como dissemos, continuar a construir nossas relações com a região é uma escolha estratégica para a Nova Zelândia. É por isso que temos uma ampla rede de missões diplomáticas pela região e por isso realizamos uma série de consultas de política externa no último ano. Nossas parcerias latino-americanas são importantes.
E é novamente por isso que consideramos importante realizar esta rara missão parlamentar, empresarial e cultural pela região. Dentro de um ambiente geoestratégico que está mudando rapidamente e é extremamente desafiador, aprofundar nosso engajamento com a América Latina é fundamental para alcançar nossos objetivos duradouros de assegurar:
Um futuro sustentável,
Um futuro próspero e resiliente, e
Um futuro estável, seguro e justo — para o seu povo e para o nosso.
Um futuro sustentável
Recordamos nossa primeira visita a Brasília quase 20 anos atrás, quando o Presidente Lula liderava o seu país. Naquela época, falávamos sobre como o Brasil estava emergindo como uma superpotência política. Hoje, o Brasil é visto como um líder no espaço multilateral em um momento de mudanças e desafios geopolíticos profundos.
O papel do Brasil ao sediar e coordenar a COP30 e o G20 evidencia sua capacidade de superar divisões e promover o diálogo entre parceiros diversos, grandes e pequenos. O Brasil pode se orgulhar de demonstrar o quanto está comprometido com soluções inclusivas e orientadas para o futuro em resiliência climática, governança econômica e segurança global.
Em nossas reuniões aqui, com o Presidente Lula (TBC), o Vice-presidente Alckmin (TBC), o Ministro Vieira e o Embaixador Amorim, concordamos que isso é algo que todos nós precisamos fazer se desejamos ser bem-sucedidos em defender e promover a ordem internacional baseada em regras, da qual dependem nossa segurança e prosperidade compartilhadas.
Em uma era em que o consenso é cada vez mais difícil, a capacidade de convocar, liderar e inspirar colaboração é indispensável. Temos afirmado, em fóruns multilaterais e bilaterais, que nunca a diplomacia foi tão necessária quanto agora. Precisamos conversar mais, ouvir mais — inclusive aqueles com quem talvez não concordemos. Mas, a partir de mais diplomacia e de mais escuta de outras perspectivas, vemos um caminho rumo a uma maior compreensão entre as nações.
Nosso tempo aqui em Brasília foi precedido por visitas a Buenos Aires e Montevidéu, onde, de forma semelhante, conversamos com o Presidente Milei e o Presidente Orsi sobre a importância fundamental — na verdade, a necessidade — de fortalecer a cooperação global e a construção eficaz de coalizões com nossos parceiros latino-americanos e de outras regiões.
Nosso interesse comum em preservar a Antártica como uma zona de paz e ciência foi um tema central, após a Nova Zelândia ser anfitriã, no final do ano passado, de uma Assembleia Parlamentar Antártica. Foi a primeira vez que essa assembleia foi realizada no Hemisfério Sul, e ficamos muito satisfeitos em poder atrair parlamentares de toda a América Latina, incluindo Argentina e Uruguai.
Embora o Tratado da Antártica tenha mantido a paz e promovido a colaboração científica por quase sete décadas, a região não está imune aos impactos do cenário geopolítico. Proteger a Antártica é tão importante para nós quanto proteger sua vasta floresta tropical é para vocês, já que ambos têm impacto na saúde climática global.
Devemos trabalhar juntos para garantir a proteção de longo prazo da Antártica como uma reserva natural dedicada à paz e à ciência — algo que sustenta nossa segurança e prosperidade compartilhadas. Assim, ficamos especialmente satisfeitos em assinar um novo Acordo de Cooperação Antártica com o Uruguai durante nossa visita a Montevidéu, e em avaliar o andamento do acordo que temos com a Argentina, quando estivemos em Buenos Aires.
O Chile, que visitaremos a seguir, também é uma nação portal para a Antártica e um parceiro próximo quando se trata de protegê-la, assim como nossos oceanos compartilhados — inclusive, foi na “Our Oceans Conference”, das Nações Unidas, que tivemos nosso último encontro com o Ministro das Relações Exteriores chileno.
A relação da Nova Zelândia com o Chile é próxima e duradoura. No ano passado, comemoramos o 80º aniversário de nossas relações diplomáticas. Trata-se de uma relação que foi consolidada em 1945, quando ambos fomos orgulhosos membros fundadores das Nações Unidas — uma instituição na qual trabalhamos por tanto tempo e tão proximamente com parceiros latino-americanos. E continuaremos a fazê-lo.
Temos destacado, em discursos nas Nações Unidas, que o sistema da ONU enfrenta desafios sem precedentes acumulados ao longo do tempo. Convidamos a liderança da ONU e seus Estados-membros a trabalhar seriamente para promover reformas há muito necessárias, que ajudem a reduzir as vulnerabilidades que a ONU enfrenta atualmente. Fazer mais com menos e ser eficaz, focando em seu propósito central de melhorar seu impacto e sua capacidade de entrega.
O próximo Secretário-Geral da ONU terá um papel significativo na condução desse processo de reforma tão essencial.
A Nova Zelândia já está apoiando esse esforço por meio de sua co-liderança na revisão de mandatos das Nações Unidas, e trabalharemos de perto com os países latino-americanos para garantir que esse aspecto da reforma da ONU seja adequado para os próximos 80 anos.
Outro sucesso importante de nossas parcerias latino-americanas tem sido nosso posicionamento na vanguarda da criação de uma arquitetura de comércio internacional inovadora e orientada para o futuro. O Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP) é um excelente exemplo disso. No início dos anos 2000, Chile e Nova Zelândia lideraram a criação do acordo P4, de alta qualidade e abrangência. Ele foi posteriormente expandido para o Trans Pacific Partnership (incluindo México e Peru), e desde então transformou-se no que agora possui alcance e influência globais, com a adesão do Reino Unido e despertando o interesse de outros países — incluindo Costa Rica, Uruguai e Equador. .
A liderança inovadora em regras de comércio dá a países pequenos e médios, como a Nova Zelândia e muitos de nossos parceiros latino-americanos, uma voz mais ampla e influente na definição do ambiente comercial internacional do qual todos dependemos.
Além do CPTPP, colaboramos com sucesso em uma série de acordos comerciais modernos. A iniciativa mais recente é a inovadora Future of Investment Partnership, que tivemos o prazer de lançar no ano passado ao lado de diversos parceiros, incluindo Chile, México, Uruguai, Paraguai e Peru.
Em um momento em que o sistema internacional baseado em regras enfrenta múltiplos desafios, o comércio aberto e baseado em regras é mais importante do que nunca — seja por meio do CPTPP, do Mercosul ou de outras plataformas, como a Aliança do Pacífico — da qual a Nova Zelândia continua interessada em participar como Membro Associado quando apropriado. O comércio aberto e baseado em regras é essencial para nossa prosperidade futura compartilhada.
Um futuro próspero e resiliente
Há muito mais que deveríamos estar fazendo para ampliar nossa prosperidade compartilhada. Para a Nova Zelândia, a América Latina continua sendo uma região de significativo potencial comercial ainda não explorado, onde podemos — e queremos — fazer mais, inclusive no que diz respeito à diversificação de nossa base comercial.
A América Latina representa a quarta maior economia do mundo — US$ 6,34 trilhões — quase o dobro da Índia. A região abriga 660 milhões de pessoas com altos níveis educacionais; grandes classes médias; populações jovens expressivas; e uma abundância de recursos naturais.
De fato, ela detém metade da biodiversidade mundial, um quarto de suas florestas e uma parcela substancial dos minerais essenciais para as transições gêmeas — digital e de baixo carbono. O tamanho e os recursos da região apresentam oportunidades significativas para empresas neozelandesas que buscam diversificar além do Indo-Pacífico e de mercados tradicionais.
O Governo da Nova Zelândia tem como objetivo dobrar o valor de suas exportações até 2034. E é por isso que estamos acompanhados, nesta Missão à América Latina, por uma delegação de líderes empresariais neozelandeses. Nossa presença aqui também está alinhada com a bem-sucedida missão de nosso Ministro do Comércio a São Paulo em outubro de 2024, que resultou em um incremento comercial de 100 milhões de dólares a partir de 13 instrumentos assinados. Eles abrangeram uma ampla gama de setores, incluindo tecnologia, saúde e manufatura avançada, demonstrando a diversidade das ofertas da Nova Zelândia e o crescente interesse regional pela expertise neozelandesa.
Aqui no Brasil, nosso volume de comércio não é grande, mas é novo e empolgante. Isso porque, no Brasil, a Nova Zelândia não é conhecida como uma fonte de grandes volumes de produtos primários, mas sim como uma exportadora de tecnologia de alta qualidade, atuando com sucesso em áreas onde podemos agregar valor real — elevando produtividade, eficiência e lucratividade para nossos clientes e parceiros brasileiros.
E isso me traz ao tema do Innovation Showcase aqui hoje: "Accelerate Brazil", com seu foco em impulsionar oportunidades comerciais por meio de maior engajamento no setor de tecnologia.
Entre as histórias de sucesso apresentadas aqui hoje está a Tait Communications. A Tait entrou no mercado brasileiro em 2006 e, desde então, tornou-se um forte player regional, desafiando a fatia de mercado de grandes empresas norte-americanas como a Motorola, ao fornecer soluções de comunicação e segurança para os setores de mineração e defesa. Ao longo dos anos, o negócio da Tait apresentou um crescimento notável, transformando sua sede no Brasil em um hub regional de suas operações na América do Sul.
Como demonstrado por algumas das empresas aqui presentes hoje, incluindo a Livestock Improvement Corporation e a Gallagher, vemos também uma excelente oportunidade para maior engajamento no setor de agritech. Embora a Nova Zelândia tenha sido anteriormente vista como concorrente, parece haver uma crescente conscientização sobre o valor de colaborar conosco no setor agrícola — algo corroborado pelo histórico da Nova Zelândia em ajudar a melhorar a produtividade e a sustentabilidade de produtores de laticínios pequenos, médios e grandes na região.
Por exemplo, em 2007, quando visitamos o Brasil pela última vez, a Nova Zelândia fez seu primeiro investimento na fazenda Kiwi Group, em Goiás. Desde então, a operação só se fortaleceu, demonstrando como sistemas neozelandeses de produção sustentável, baseados em pastagens, podem ser adaptados às condições climáticas do Brasil — e com grande sucesso. A fazenda é agora a maior produtora de leite do estado e, em breve, inaugurará uma nova fazenda moderna.
Existem também outras histórias semelhantes de colaboração agrícola kiwi-brasileira, inclusive na Bahia. Esperamos poder fazer muito mais com o Brasil e outros parceiros da região nos setores agrícola e demais, à medida que os benefícios dos produtos e sistemas agritech da Nova Zelândia se tornem mais amplamente conhecidos.
Como demonstrado neste showcase, a Nova Zelândia está bem posicionada para fornecer uma ampla gama de soluções inteligentes e direcionadas que possibilitam maior produtividade e eficiência — e, portanto, desenvolvimento econômico — em setores de importância estratégica em toda a região, como soluções de serviços tecnológicos que apoiam a agricultura de exportação, a indústria mineradora e outros setores, incluindo TI, varejo, saúde e cinema.
No setor cinematográfico, assinamos ontem, com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, um Acordo de Coprodução Audiovisual Brasil–Nova Zelândia, alinhado com a estratégia econômica do nosso Governo, "Going for Growth". O acordo permite que projetos aprovados de cinema e televisão obtenham o status de coproduções oficiais, dando-lhes acesso aos benefícios concedidos a produções nacionais em cada um dos países coprodutores. Os acordos de coprodução da Nova Zelândia com parceiros em todo o mundo trouxeram benefícios concretos para nossa indústria cinematográfica local, e temos plena expectativa de que este acordo trará resultados semelhantes aqui também.
De fato, esta noite estamos felizes em contar com a presença de um exemplo do que pode ser alcançado nessa área: David Schurmann, um brasileiro neozelandês que produziu e dirigiu o filme Little Secret — filme submetido pelo Brasil à categoria de língua estrangeira do Oscar em 2016.
A Nova Zelândia tem grande interesse em assegurar que a implementação do acordo seja um sucesso, e a LANZBC — que está conosco nesta missão — sediará em breve um webinar sobre cinema, em parceria com a New Zealand Film Commission e a ANCINE.
Ontem também tivemos o prazer de assinar um renovado Acordo de Cooperação em Educação com o Brasil. A educação e a pesquisa têm sido por muito tempo um pilar importante de nossa relação com o Brasil e com a região latino-americana. Todas as oito universidades neozelandesas estão classificadas entre os 2% melhores do mundo e, antes da COVID, recebíamos cerca de 25 mil estudantes da região todos os anos para ampliar sua formação e pesquisa.
Embora esses números ainda estejam se recuperando, estamos muito interessados em ver esse intercâmbio vital de nossos melhores e mais brilhantes jovens continuar a crescer.
Um futuro seguro, protegido e justo
Para além de nossas relações diplomáticas e econômicas, vemos valor em reforçar nossas relações com parceiros latino americanos para ajudar a proteger e promover a segurança nacional, regional e internacional. Coletivamente, estamos enfrentando o ambiente estratégico mais desafiador dos últimos 80 anos. A competição geoestratégica, os conflitos armados e a instabilidade que eles causam, assim como o crime organizado transnacional, estão todos em ascensão. Nenhuma região está imune, embora nunca tenha havido tanta consciência sobre o quão interconectadas nossas regiões são.
Diante desse contexto, é fundamental que contribuamos ativamente e trabalhemos juntos em prol da construção da paz e da segurança globais. E temos um histórico de já ter feito isso no passado: desde a Segunda Guerra Mundial, quando os “Cobras Fumantes” do Brasil lutaram com coragem em Monte Castello, no norte da Itália, enquanto as tropas neozelandesas faziam o mesmo em Monte Cassino, no sul; até hoje, quando temos unidades trabalhando juntas em missões contemporâneas de manutenção da paz, como com o Uruguai e a Colômbia, e na Força Multinacional de Observadores no Sinai.
A Nova Zelândia faz apelos para que a democracia, os direitos humanos e o Estado de Direito sejam respeitados na Venezuela, e para que todos os prisioneiros políticos e outros detidos arbitrariamente sejam libertados. O povo venezuelano deve determinar o futuro político de seu país.
Também temos sido um apoiador firme do acordo de paz de 2016 da Colômbia. Quando a Nova Zelândia ocupava a presidência do Conselho de Segurança da ONU, co patrocinamos a Resolução 2261, que estabeleceu uma missão política da ONU para monitorar e verificar o cessar fogo bilateral entre o governo colombiano e as FARC. Isso foi seguido pelo apoio da Nova Zelândia aos esforços de desminagem no pós conflito, incluindo uma contribuição feita no ano passado ao Fundo Fiduciário Multilateral da ONU para a consolidação da paz na Colômbia, com foco também em esforços de desminagem.
Mais recentemente, o Governo da Nova Zelândia aprovou um plano abrangente para interromper e prevenir exportações de drogas para a Nova Zelândia e para as Ilhas do Pacífico, que estão vulneráveis ao terrível flagelo das drogas. Estabelecemos novas posições de ligação no exterior para aumentar a colaboração com nossos parceiros internacionais, porque essa é uma batalha que não podemos perder.
Os países da América Latina compartilham de nossas preocupações sobre o crime organizado transnacional e são parceiros-chave na luta contra ele. Temos o prazer de anunciar que uma dessas novas posições de ligação no exterior será baseada em Bogotá, com mandato regional, trabalhando ao lado da Polícia Federal Australiana e integrada à Polícia Nacional da Colômbia.
Um futuro global positivo exige uma América Latina que seja segura, protegida, ativa e próspera, e esperamos fortalecer ainda mais nosso engajamento com o Brasil e outros parceiros da região em torno desses importantes temas.
Considerações finais
O principal objetivo de nossa missão é reforçar, tanto bilateralmente quanto em toda a região, o valor que atribuímos às nossas parcerias latino americanas. Nenhum país ou região, sozinho, pode enfrentar de forma satisfatória ou sustentável os múltiplos desafios que enfrentamos hoje. Precisamos trabalhar arduamente para colaborar mais — politicamente, comercialmente e por meio de vínculos interpessoais (people to people links).
De fato, promover nossos crescentes vínculos interpessoais continua sendo uma das melhores maneiras de aprofundar e ampliar nossa colaboração. Nesse sentido, a Nova Zelândia teve o prazer de apoiar o lançamento da nova rota aérea entre Auckland e Buenos Aires, e esperamos que mais conexões diretas desse tipo sejam possíveis no futuro.
Os últimos 25 anos testemunharam o surgimento bem vindo de uma comunidade latino americana em constante crescimento na Nova Zelândia. Ela agora ultrapassa 38 mil pessoas, que contribuem de maneira significativa para a vitalidade e o valor de nosso país. Muitos milhares foram apoiados para vivenciar a Nova Zelândia por meio de nossos programas de férias trabalho (working holiday schemes) com Argentina, Brasil, Chile, México, Peru e Uruguai — programas que são extremamente populares. Talvez alguns de seus jogadores de futebol queiram juntar se a eles.
Também incentivamos os jovens neozelandeses a aproveitarem a oportunidade de viajar entre nossos países e construir experiências e conexões de vida, que, por sua vez, fortalecerão nossos laços.
Muito obrigado,
Muchas gracias,
Thank you and kia ora mai tātou.